segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

28/07/1983 Grêmio 2 x 1 Peñarol – Libertadores




GRÊMIO 2 x 1 PEÑAROL

Segundo Jogo da Final - Copa Libertadores da América 1983

Data: 28/Julho/1983 - Local: Estádio Olímpico Monumental, em Porto Alegre/RS (BRA) - Público: 80.000 - Árbitro: Edison Perez (Peru)
Cartão Amarelo: Paulo Roberto, Tita e Renato Portaluppi (Grêmio); Olivera, Saralegui e Fernando Morena (Peñarol) - Expulsões: Renato Portaluppi (GRE) e Venâncio Ramos (PEN), ambos aos 42' do 2º tempo.
Gols: Caio, aos 10min do 1° do tempo; Fernando Morena, aos 25min e César, aos 31min do 2° tempo.

GRÊMIO: Mazzaropi, Paulo Roberto, Baidek, Hugo de León, China, Casemiro Mior, Osvaldo, Caio (César), Renato Portaluppi, Tita e Tarciso. Técnico: Valdir Atahualpa Ramírez Espinosa.

PEÑAROL: Gustavo Fernandez, Walter Olivera, Nelson Gutierrez, Nestor Montelongo, Victor Diogo, Miguel Bossio, Walkir Silva, Saralegui, Fernando Morena, Jose Salazar e Venâncio Ramos. Técnico: Hugo Bagnullo.

Grêmio campeão da Taça Libertadores da América de 1983.
Fonte: Pesquisas realizadas por Jeferson Silveira Fernandes.


Série especial do clicRBS sobre a conquista da Libertadores de 1983 pelo Grêmio

Libertadores 1983: Osvaldo marca, Grêmio despacha o Blooming e ruma às semifinais
Meia fez o segundo gol na vitória sobre os bolivianos em 26 de abril daquele ano

Há 25 anos, o Grêmio batalhava para conquistar a América pela primeira vez. Na Libertadores de 1983, a campanha gremista começou em 4 de março, com um empate em 1 a 1 com o Flamengo, no Olímpico. Em seguida, vieram cinco vitórias contra os bolivianos do Bolívar e do Blooming e contra o próprio Flamengo.

Uma das vitórias aconteceu em 26 de abril de 1983, contra o Blooming, em Porto Alegre. O centroavante Caio abriu o placar, e o meia Osvaldo, que terminaria aquela Libertadores como artilheiro do Grêmio, com seis gols, marcou o segundo, concluindo na saída do goleiro após tabela com Renato. A vitória de 2 a 0 encaminhou a vaga para as semifinais.

– Eu lembro daquele jogo. Foi uma vitória importante. Eu lembro que o primeiro gol saiu depois de uma confusão na área, com o goleiro caído e uma bola na trave – comenta Osvaldo.

A campanha impecável na primeira fase garantiu o Grêmio nas semifinais da competição, então disputada em forma de triangular. Naquela edição do torneio, apenas o primeiro colocado de cada grupo continuava na competição. Assim, o Flamengo, grande rival gremista no início dos anos 80 e campeão da Libertadores de 1981, acabou eliminado logo de cara.

– A gente passou da primeira fase, eliminando o Flamengo, que era a equipe em evidência naquele momento. Foi aí que começamos a sonhar com o título – revela Osvaldo.

Grupo unido, torcida unida

Para o ex-jogador, que também teve passagens por Ponte Preta e Santos, a união dos jogadores e o incentivo dos torcedores foram os elementos determinantes para a conquista do título continental.

– Aquele era um grupo muito bom. Dentro e fora de campo, a gente sempre foi muito unido. Acho que o sucesso todo dessa conquista foi através do grupo e da tranqüilidade que vinha de fora com o apoio da torcida, que foi essencial.

Fora dos campos

Atualmente, Osvaldo é dono de uma loja de autopeças em Santa Bárbara do Oeste, no interior paulista. Apesar de não trabalhar mais com futebol, o ex-jogador diz que segue acompanhando o Grêmio.

– A passagem pelo Grêmio marcou a minha carreira. Até hoje, eu gosto muito do Grêmio e torço muito. O Grêmio é tudo na minha vida – concluiu Osvaldo.


Libertadores 1983: Grêmio vence Bolívar e se vinga do Flamengo

Meia Tonho relembra a trajetória gremista para a conquista da América

Depois de despachar o Blooming, o Grêmio garantiu a vaga antecipada nas semifinais da Libertadores de 1983 ao vencer o Bolívar por 3 a 1, no Olímpico, em 31 de maio. O segundo gol do jogo foi marcado pelo meia-atacante Tonho, que completou de cabeça depois do cruzamento de Tita. O próprio Tita marcou os dois outros gols da vitória gremista.

– Foi o primeiro e único gol de cabeça que eu fiz na minha carreira – lembra Tonho.

O Grêmio fez 2 a 0 logo no início do jogo, mas o duelo com os bolivianos foi duro, como lembra o ex-jogador e hoje técnico do Ypiranga de Erechim, que disputa a Segundona do Gauchão.

– Nós tínhamos vencido na Bolívia e era difícil de vencer lá. O time deles tinha vários argentinos, que nos provocaram, cuspiram, deram tapa e isso criou uma certa rivalidade entre a gente. Antes do jogo a gente conversou e decidiu que faríamos o placar e depois deixaríamos eles na roda, para mostrar que nós tínhamos mais qualidade que eles. E foi isso que aconteceu – revela Tonho.

Flamengo engasgado

A vitória deu a classificação no grupo 2 da Libertadores ao Grêmio e eliminou o Flamengo. Foi uma eliminação especial para os tricolores. No ano anterior, o time carioca tinha levado o título do Campeonato Brasileiro em uma decisão polêmica até hoje: no segundo jogo da final, no Olímpico, o volante Andrade tirou com a mão, de dentro do goleira, o que seria o gol do título gremista. O juiz deu prosseguimento à jogada e a decisão foi para um terceiro jogo, quando o Flamengo levou a melhor.

– Nós ficamos com aquilo engasgado. O Flamengo mudou muito em 83 e o time que ganhou da gente tinha muita qualidade. Na decisão em 82, nós sufocamos o Flamengo, teve a jogada da mão do Andrade, mas não conseguimos marcar o gol. E aquilo foi um aprendizado para a gente – completa Tonho.

Para ex-jogador, o determinante para a conquista da Libertadores foi a força do grupo gremista. O próprio Tonho nunca foi titular, mas era peça importante no esquema montado por Valdir Espinosa.

– Nós tínhamos ido mal no Gauchão e havia uma desconfiança em relação à qualidade do grupo. Isso fez com que o grupo se fechasse cada vez mais. A conquista da Libertadores veio por isso: pela unidade dos jogadores.

Relação conturbada com o Grêmio

Tonho, que também jogou no Inter, desembarcou no Estádio Olímpico no final de 1981, indicado pelo técnico Enio Andrade. Foi campeão da Libertadores e do Mundo e depois emprestado. Nos anos 90, trabalhou nas categorias de base do Grêmio e foi auxiliar técnico de Emerson Leão e Celso Roth.

A última passagem pelo Olímpico, contudo, foi conturbada. Auxiliar de Hugo De León, Tonho ainda guarda mágoa por ter sido demitido após Mano Menezes assumir o comando gremista em 2005.

– Não sei o que aconteceu. É uma coisa que não entendo até hoje.

Apesar disso, diz torcer muito para o amigo Celso Roth, atual técnico do Grêmio.

– O Celso é um cara que trabalha muito e às vezes é injustamente criticado. Às vezes isso até me deixa triste, mas faz parte do futebol – conclui Tonho.

Libertadores 1983: Tita relembra vitória do Grêmio sobre Flamengo

Em 5 de junho de 1983, Tricolor derrotou o time carioca por 3 a 1 no Maracanã

O Grêmio entrou no gramado do Maracanã no dia 5 de junho de 1983 apenas para cumprir tabela. Já classificado para as semifinais da Libertadores, o Tricolor foi até o Rio de Janeiro enfrentar o rival Flamengo, já eliminado, num domingo à tarde com cerca de 6 mil torcedores nas arquibancadas.

Esta é a terceira reportagem de uma série especial do clicRBS sobre os 25 anos da conquista da Libertadores de 1983 pelo Grêmio

O cenário indicava um jogo morno e dois adversários desmotivados. Mas o Grêmio, que tinha Beto no gol, pois Mazaropi ainda não tinha sido inscrito na Libertadores, dominou o jogo desde o início e já ganhava por 3 a 0 antes dos 30 minutos do primeiro tempo. O Flamengo evitou uma goleada histórica no segundo tempo e a partida terminou com vitória gremista por 3 a 1. O meia Tita abriu o placar com um golaço de cobertura.

– Foi o gol do Fantástico naquele final de semana – lembra o ex-jogador, hoje técnico do Macaé, do Rio de Janeiro.

Enfrentar o Flamengo teve um gosto especial para Tita, criado nas categorias de base do clube carioca. Sem espaço no time flamenguista, cuja estrela era Zico, Tita foi emprestado ao Grêmio no final de 1982.

– Ir para o Grêmio naquele momento era uma aposta. Então, ter eliminado o Flamengo, ter participado daquela vitória de 3 a 1 e marcado o gol como eu marquei foi uma conquista muito importante para mim. Aquilo ali foi um divisor de águas na minha carreira.

Adaptação ao futebol gaúcho

Apesar do estilo de jogo gaúcho completamente diferente ao estilo carioca, o ex-jogador garante que a adaptação ao Rio Grande do Sul foi tranqüila.

– Eu me adaptei muito rápido. Nos meus dois primeiros jogos no Grêmio eu marquei gols. Em uma semana de Grêmio já parecia que eu estava no clube há três anos.

Para Tita, o ponto fundamental para a conquista da Libertadores de 1983 foi a mescla de jogadores experientes e novatos.

– Os jogadores jovens estavam buscando espaço no time e no cenário nacional. Por exemplo, tinha Paulo Roberto, Bonamigo, Renato Gaúcho, o Paulo César, Baidek, o Leandro. Isso é muito importante para o grupo. Ao mesmo tempo, tinha jogadores com experiência como o Hugo De Léon, o Mazaropi, eu, o César. Aí se criou um conjunto muito forte.

Fora do Mundial

Tita deixou o Olímpico no segundo semestre de 1983, ao término do seu empréstimo. Voltou ao Flamengo para assumir a camisa 10 e a vaga de Zico, vendido à Udinese, da Itália. Ficou fora, assim, da conquista do Mundial contra o Hamburgo.

– Eu tinha que voltar para o Flamengo de qualquer jeito. Meu contrato com o Grêmio terminava antes do Mundial e o preço do passe não estava fixado. De qualquer forma eu ia voltar para o Flamengo. Além disso, o Zico tinha sido vendido. Era uma boa oportunidade para mim.

Em 1985, Tita teve uma passagem pelo Inter. Jogou ainda no Vasco e no Bayer Leverkusen, onde foi campeão da Copa da Uefa de 1988, e participou da Seleção Brasileira que disputou a Copa do Mundo de 1990. Encerrou a carreira em 1997. Dois anos depois, começou a trabalhar como treinador. Já dirigiu 11 equipes, entre elas o Vasco e o Urawa Reds (JAP).

Libertadores 1983: Derrota em Cáli não abala grupo do Grêmio

Volante China fala sobre o confronto com os colombianos na 2ª fase da competição

Depois de amassar o Flamengo e os bolivianos Bolivar e Blooming na chave 2 da 1ª fase da Taça Libertadores de 1983, o Grêmio encarou mais um grupo antes de chegar à decisão. América de Cáli, da Colômbia, e Estudiantes de La Plata, da Argentina, foram os adversários do tricolor na disputa por uma vaga na final do torneio sul-americano.

Esta é a 4ª reportagem de uma série especial do clicRBS sobre a conquista da Libertadores de 1983 pelo Grêmio

À época, as semifinais da Libertadores eram disputadas na forma de triangulares. De um lado, foram agrupados os campeões das chaves 1, 2 e 3 da 1ª fase (respectivamente, Estudiantes, Grêmio e América de Cáli); e de outro, os classificados nos grupos 4 e 5, mais o campeão da Libertadores de 1982 (na ordem, o venezuelano Atlético San Cristóbal, o uruguaio Nacional, e o também uruguaio Penharol).

A campanha tricolor na 2ª fase começou no Estádio Olímpico com uma vitória de 2 a 1 sobre o Estudiantes. A partida marcou a estréia de Mazaropi. E o terceiro goleiro utilizado pelo tricolor na Libertadores deu pé-quente: o Grêmio venceu os argentinos, no dia 21 de junho, com gols de Osvaldo e Tarciso. Gurrieri marcou para o Estudiantes.

Única derrota foi na Colômbia
Em seguida, o Grêmio foi à Colômbia enfrentar o América de Cáli. E a partida se notabiliza pela única derrota do tricolor na Libertadores de 1983. A equipe gremista não foi batida nem pelos violentos argentinos do Estudiantes, nem pelo então Penharol campeão do Mundo, ou pelo badalado Flamengo de Zico. O que demonstra a força dos colombianos.

- Eles eram um time muito forte, experiente, com argentinos no grupo - lembra o volante China, titular do Grêmio em 1983.

A partida foi disputada no dia 24 de junho de 83, em Cáli. O América venceu com um gol de Gonzales Aquino, aos 23min do 2º tempo. Mas antes, o tricolor havia desperdiçado diversas chances - e houve até um erro de arbitragem.

- O Tita marcou um gol legítimo, mal anulado. E o erro não foi por pressão porque, ao contrário de La Plata, em Cáli o estádio era grande, e não havia muita influência da torcida - compara China.

O título veio do vestiário
Apesar da derrota, depois o Grêmio bateu o mesmo América de Cali no Olímpico, por 2 a 1, empatou com o Estudiantes na Batalha de La Plata em 3 a 3, e contou com a ajuda dos colombianos - que empataram com os argentinos na última rodada, para enfrentar o Penharol, campeão do outro triangular, na decisão.

China garante: o título saiu do vestiário. De uma mescla entre os jovens gremistas (o próprio China, Renato, Osvaldo, Paulo Roberto, Baidek), identificados com o clube e a torcida, com os experientes De Léon, Tita e Mazaropi. Além, claro, do trabalho motivacional do técnico Valdir Espinosa.

- Na primeira palestra o Espinosa nos disse: percam o medo de avião, nós vamos a Tóquio. Pensamos que era louco, mas foi assim durante toda a Libertadores. Ele fez uma escada no vestiário, mostrando cada jogo vencido como um degrau superado. Ele também colocava a música da campanha "nós vamos ser campeões da América", nós cantávamos juntos, e deu certo - recorda China.

Libertadores 1983: O empate e a vida na Batalha de La Plata

Guerra, violência e futebol marcaram uma das partidas mais emocionantes da história

O dia 8 de julho de 1983 ficou marcado por ser a data de um dos mais incríveis jogos da história do Grêmio. Em campo, o Tricolor lutava contra o Estudiantes de La Plata por uma vaga na grande decisão da Libertadores. Fora dele, um suposto auxílio do Brasil aos ingleses na Guerra das Malvinas provocou a ira dos argentinos, que viam no Tricolor gaúcho um inimigo que ia muito além das quatro linhas. As informações são do site do Grêmio.

O Grêmio chegou para o jogo em La Plata com uma vantagem de dois pontos sobre América e Estudiantes. Uma vitória asseguraria ao Tricolor uma vaga nas finais do maior torneio interclubes de futebol das Américas. Um empate deixaria o clube gaúcho na dependência do resultado entre América e Estudiantes, na Colômbia.

Na chegada da delegação gremista ao acanhado Estádio Jorge Luis Hirschi, várias pedras foram arremessadas contra o ônibus brasileiro. No gramado, a situação não era diferente. Cusparadas, violência e muita confusão antecederam a partida.

Para se ter uma idéia do clima belicoso em La Plata, antes mesmo da bola rolar o árbitro uruguaio Luis de La Rosa (que substituiu Martinez Basan em cima da hora) apresentou cartão amarelo para o atacante Trobbiani.

E os argentinos não se intimidaram nem um pouquinho com a advertência do árbitro. Nos primeiros 45 minutos de partida, dois jogadores do Estudiantes foram expulsos.

A confusão que deixou o Estudiantes com nove homens começou depois que China cometeu uma falta sobre Trobbiani e foi chutado pelo argentino. Depois de ter expulsado o primeiro, o árbitro uruguaio foi empurrado por diversos argentinos, até que Ponce também foi mandado para o chuveiro.

Depois da cobrança da falta que originou as duas expulsões, Gugnale se aproveitou e chutou na saída de Mazarópi, aos 38 minutos, para abrir o placar. Aos 44, Osvaldo recebeu pela esquerda e chutou cruzado para empatar.

O empate no final do primeiro tempo soou como ofensa aos fanáticos torcedores argentinos. No túnel que levava os times aos vestiários, Caio foi agredido covardemente e teve como resultado uma fratura na tíbia. César voltou para o segundo tempo no seu lugar.

E o próprio César foi o responsável pelo gol da virada tricolor, aos oito minutos da etapa final. Já com quatro homens a menos, os argentinos presenciaram um golaço marcado por Renato Gaúcho. Em uma jogada pela direita de ataque, o ponta deixou dois marcadores no chão e chutou para o fundo das redes. Eram 18 minutos do segundo tempo.

Tomados por uma ira nunca antes vista em um campo de futebol, os argentinos partiram para o ataque e conseguiram acuar os gremistas, mesmo estando em considerável desvantagem numérica. Gurrieri descontou aos 31 minutos. Osvaldo marcou o quarto gol do Grêmio, que foi anulado inexplicavelmente pelo árbitro da partida.

A pressão do Estudiantes era imensa e, faltando quarto minutos para o fim da Batalha de La Plata, Russo marcou o gol de empate.

Mesmo tendo permitido a igualdade para uma equipe com apenas sete homens em campo, o Grêmio comemorou ter conseguido deixar La Plata com vida. O Tricolor dependia agora de, pelo menos, um empate do já eliminado América de Cali contra os argentinos para chegar à final.

Reportagem do Jornal Clarin sobre os 20 anos da partida A 20 años de un empate heroico Gustavo Flores En la Libertadores hay empates para todos los gustos. Aburridos, dramáticos, olvidables, especulativos... Y hay otros que aparecen como épicos. El empate increíble, bautizó la prensa nacional a aquel partido que Estudiantes y Gremio jugaron en La Plata hace poquito más de 20 años. La Plata fue la ciudad testigo de un juego inolvidable el 8 de julio de 1983. Faltaban 15 minutos cuando el equipo brasileño iba 3 a 1 arriba en goles y 11 a 7 en jugadores. Sí, al Pincha le habían expulsado 4 jugadores en su estadio de 57 y 1. Todo estaba dado para una goleada visitante, pero el corazón estimuló la inesperada reacción. Primero fue Sergio Gurrieri quien descontó, y sobre la hora, Miguel Angel Russo, con un zapatazo, selló el inolvidable 3 a 3. "Fue el partido que más grabado me quedó en toda mi carrera. Mirá que salí campeón varias veces, pero aquella noche fue incomparable, imborrable...", recuerda hoy el técnico de Rosario. El comienzo de ese juego había sido escandaloso. Antes de empezar, el árbitro uruguayo Luis Da Rosa ya había sacado la primera amarilla: fue a Marcelo Trobbiani por haber invadido el círculo central. Después, a los 33 del primer tiempo expulsó al propio Trobbiani (se quejó por una falta) y a José Daniel Ponce (tumulto). En el segundo tiempo, vieron la roja Julián Camino (24m, agresión mutua con un rival que siguió en la cancha) y Hugo Tévez (30m, juego brusco), quien había ingresado 40 segundos antes. Seis jugadores de campo contra diez. Pero aquel equipo bicampeón nacional le tenía destinada una sorpresa al repleto estadio, que pasó de la indignación al delirio. El empate finalmente no le alcanzó al Estudiantes de Eduardo Manera. "El Gremio pasó de ronda y ganaron todo, Libertadores e Intercontinental. Yo estoy convencido que si pasábamos nosotros, Estudiantes era otra vez campeón de la Libertadores.", rememora Russo. Sin título, pero esa noche se instaló para siempre en la historia del club platense y en sus hinchas. Si es cierto que existen las hazañas deportivas, a no dudarlo, esta fue una de ellas.

Libertadores 1983: Grêmio surpreende o Peñarol no Uruguai

Tricolor empata em 1 a 1, assistido por 70 mil pessoas no Estádio Centenário

Contra o Grêmio, a tradição da camisa jalde-negra até então quatro vezes vencedora da Taça Libertadores; a força de jogadores campeões mundiais um ano antes; a garra de 70 mil torcedores uruguaios; e a atmosfera quase mística do Estádio Centenário, em Montevidéu.

Esta é a 6ª reportagem de uma série especial do clicRBS sobre a conquista da Libertadores de 1983 pelo Grêmio

Quem poderia prever que o Grêmio, um clube que à época ainda não havia inserido seu nome entre os grandes do futebol sul-americano, pudesse confrontar tantos fatores adversos? A noite de 22 de Julho de 1983 começou a comprovar as linhas do hino tricolor, do Imortal, mesmo diante do lendário Peñarol.

O sorteio proporcionou ao Grêmio decidir a Libertadores daquele ano em casa. Mas antes de chegar ao jogo do Olímpico, o tricolor precisaria enfrentar o Peñarol e toda a sua história lá em Montevidéu.

Não houve, entretanto, temor. O Grêmio não se intimidou com o currículo do Peñarol. Pelo contrário. Surpreendeu os mandantes com brio e bravura, igualando a raça dos uruguaios para prevalecer em campo com sua técnica.

E o Grêmio foi para cima. O técnico Valdir Espinosa armou uma equipe ofensiva, embaralhando a defesa do Peñarol. Logo a 12min, Tita marcou de cabeça, calando os 70 mil torcedores - algumas centenas, entre eles, comemoravam - eram os representantes da imensa torcida que ficara no Rio Grande do Sul.

Aos 35min, Morena empatou. Ainda assim, o Grêmio conseguiu sustentar o empate. No final, De León salvou quase em cima da linha um dos poucos chutes que venceu Mazaropi, levando a vantagem do 1 a 1 para o Estádio Olímpico.

O Grêmio chegava em Porto Alegre com um pé em Tóquio.

Na raça, Grêmio vence Peñarol e conquista a Libertadores de 83

Caio e César, que entrou no segundo tempo, marcaram os gols do título gremista

Esta reportagem foi publicada em Zero Hora na edição do dia 29 de julho de 1983, um dia após o Grêmio vencer o Peñarol e conquistar a sua primeira Libertadores

O Grêmio deu à sua imensa torcida o presente que ela mais esperava no ano em que o clube comemora os seus 80 anos de fundação: o título da Libertadores da América, conquistado ontem à noite com uma vitória de 2 x 1 sobre o Peñarol, num jogo em que teve de superar seu próprio nervosismo e alguns erros, mas com uma atuação em que sobrou coragem e heroísmo para todos os seus jogadores.

O grande sonho do Grêmio começou a tornar-se realidade logo aos dez minutos de jogo quando Caio marcou um gol, concluindo boa jogada de Osvaldo e Casemiro. Na verdade, o time estava um pouco nervoso em campo mas jogava com coragem, enfrentando a violência do Peñarol, que a quatro minutos já tinha um jogador advertido com cartão amarelo — Olivera, que acertou Renato com o cotovelo.

Depois do gol, o Peñarol procurou equilibrio da partida apelando sempre para o chute alto para a área do adversário. E dos 30 minutos em diante foi o time uruguaio quem esteve mais tempo com o domínio da bola, chegando em situação de marcar pelo menos em duas oportunidades: aos 37 minutos, Morena tocou de cabeça para Saralegui que chutou para cima; aos 30, Olivera ficou livre para o chute na área pequena, mas demorou e permitiu que Casemiro afastasse para escanteio.

O Peñarol voltou para o segundo tempo com a mesma disposição do final do primeiro e pressionou o time do Grêmio. Mas não apenas levantando bolas na área: agora também com toques curtos e jogadas individuais, especialmente de Ramos que criou uma série de lances perigosos. Num deles, foi derrubado e cobrou a falta com perfeição na cabeça de Morena para o gol de empate.

Os uruguaios continuavam melhor em campo, mas o Grêmio contava com um talento em campo que até aquele momento ainda não havia mostrado seu verdadeiro futebol — o ponteiro-direito Renato. Até que aos 32 minutos, ele conseguiu o cruzamento quase impossível, num pequeno espaço do campo, para a cabeçada certeira de César no segundo gol. O gol do título, o gol que lançou o Grêmio na maior fase de toda a sua história. A partida teria ainda muito nervosismo e violência, que provocou as expulsões de Renato e Ramos, aos 42 minutos.

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